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No.26 - Ano 10 - Dezembro/Janeiro/Fevereiro 2008 |
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A Asma e sua influência no período escolar

Dra. Fabiane Schwenkow
Depto. Psicologia - ABRA/SP

A fase escolar, compreendida pela faixa etária dos 6 aos 12 anos de idade, é caracterizada pelo ingresso na escola e pela aquisição da leitura. A entrada na escola possibilita o distanciamento da proteção direta dos pais e o desenvolvimento de novas relações sociais fora do ambiente parental. A escola também amplia o repertório da criança, até então, voltado apenas para as atividades lúdicas. Nesta fase a criança está apta a atender às cobranças objetivas de realização como cumprimento de horários, regras e tarefas e a escola será a principal fonte de cobranças e realizações. O desenvolvimento físico e o psicomotor garantem a plena prontidão do esquema corporal para que a criança consiga suportar tais demandas. A imposição de uma doença crônica neste período pode perturbar o curso do desenvolvimento sadio. Geralmente a asma e/ou o seu tratamento acarretam alterações físicas que perturbam a auto-imagem da criança ou, ainda, impõe limitações à sua capacidade física e mudanças abruptas na sua rotina devido às crises recorrentes e internações. Ao se deparar com limitações que fogem do seu controle, a criança percebe-se frágil, sem condições de responder às expectativas próprias da sua idade. Para ela, tal percepção é fonte de frustração e angústia, ocasionando idéias auto-depreciativas, sentimentos de menos-valia, comportamento regredidos, dependência dos pais, isolamento, irritabilidade e agressividade. Esse contexto de sobrecarga emocional muitas vezes tem influência direta no aproveitamento e desempenho escolar, sendo representado por queixas referentes aos problemas de aprendizagem como dificuldade de leitura, na aquisição da escrita e principalmente com as operações numéricas. É importante que os pais busquem compreender as dificuldades apresentadas no sentido de aceitá-las e oferecer acolhimento à criança. É muito comum que os pais também se sintam frustrados ao perceberem que seu filho não atende às expectativas próprias da sua idade e que e, em geral, optam por adotar posturas de cobranças e críticas como forma de estimular o filho. Muitas vezes os pais nem associam a existência de aspectos emocionais ligados à doença e que prejudicam o desenvolvimento intelectual da criança. Nestes casos, o acompanhamento psicológico é importante tanto para esclarecer aos pais as questões ligadas ao adoecimento recorrente como para a criança, no sentido de trabalhar as suas dificuldades, reforçar suas potencialidades e oferecer acolhimento às suas angústias.
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