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No14 - Ano 6 - Dezembro/Janeiro/Fevereiro
O uso de 'bombinhas' na asma e rinite

Dr. Clóvis Eduardo Santos Galvão
Vice Presidente ABRA/SP


Hoje, a principal via de administração de medicamentos para asma é a via inalatória, ou seja, quando a medicação é administrada através da inalação. A Terapia Inalatória apresenta a vantagem da rapidez de ação, uma medicação tópica leva a uma ação local direta do medicamento, o que permite a utiização de doses mínimas do princípio ativo, favorecendo uma diminuição dos efeitos colaterais.
Quando falamos de tratamento inalatório para a asma sempre lembramos da inalação em casa ou no pronto socorro, mas este tipo de tratamento – a nebulização - é apenas uma das formas inalatórias de administração. Alem da nebulização, temos ainda o uso do inalador dosimetrado/spray de aerossol, popularmente chamado de bombinha e os inaladores de pó seco (monodose ou multidose).
A nebulização pode ser de uso intra-hospitalar e domiciliar, a jato ou ultra-sônico. Entre as vantagens desta forma de inalação podemos destacar a facilidade de inalação, podendo inclusive ser usado nos pacientes em estado grave, em ventilação mecânica, e permite o uso da medicação em altas doses ou associação, sendo bastante útil no tratamento de urgência.
Suas desvantagens são a preparação lenta, controle inadequado da dose inalada, necessidade de uma fonte de energia, custo elevado, risco de infecções e manutenção complexa.
No caso do inalador dosimetrado, que é também uma forma bastante popular de inalação, a velocidade de saída do jato é grande, fazendo com que 70 a 80% da medicação fique na orofaringe.
Para diminuir a velocidade com a qual o jato entra na boca recomenda-se usar o dispositivo 4 a 5 cm distante dos lábios.
São vantagens do inalador dosimetrado seu fácil transporte, limpeza e conservação.
O dispositivo é multidoses, e as doses são precisas e reprodutíveis e permitem boa deposição da medicação nos pulmões; além disso, apresentam adequada relação custo/benefício; suas desvantagens são a necessidade de técnica de inalação correta e o difícil controle das doses restantes.
Como já foi mencionado, o inalador em spray é conhecido como “bombinha”, e vale sempre a pena reforçar que a “bombinha” não faz mal para o coração, podendo ser usado inclusive pelos asmáticos com problemas cardíacos, desde que devidamente prescrita por um médico.
Da mesma forma, a “bombinha” não mata e nem “bombinha” vicia. A técnica inalatória correta para o uso dos aerossóis dosimetrados consiste em agitar bem o dispositivo antes de utilizar e retirar a tampa, esvaziar os pulmões, iniciar inspiração, acionar a “bombinha” e continuar a inspiração até o final, prender a respiração por 10 segundos e expirar lentamente.
Os erros mais comuns no uso destes inaladores são: não remover tampa do spray, não agitar, apertar gatilho na expiração, fazer uma inalação lenta, apertar gatilho antes da inspiração, segurar a respiração, apertar mais que um gatilho, posição incorreta do corpo e não usar câmara espaçadora.
As câmaras espaçadoras ou espaçadores facilitam a coordenação entre o disparo e a inalação, aumentam a deposição pulmonar da medicação, diminuem o impacto orofaríngeo, entretanto, o tamanho nem sempre é prático e existe uma grande variedade de modelos com incompatibilidade entre as conexões.
O inalador de pó seco, apesar de já ser comercializado há 30 anos, é considerado atualmente o tipo mais moderno de inalador.
Este tipo de inalador gera aerossóis com partículas menores, melhorando a deposição nos pulmões.
Para que o paciente sinta se a medicação está sendo efetivamente administrada, a mesma vem misturada a lactose ou glucose.
Os fluxos inspiratórios altos são necessários, mas os inaladores podem ser usados por idosos, crianças, traqueostomizados, pois necessitam de manobras mais simples para a administração uniforme da droga.
Além disso, com estes dispositivos é possível o controle do número de doses disponíveis, eles não utilizam propelentes contaminantes, são de fácil transporte, não contem aditivos.
As desvantagens dos inaladores de pó seco são: a necessidade de fluxo inspiratório adequado, eles não podem ser usados por pacientes inconscientes ou com ventilação mecânica, a expiração no bocal dispersa a dose adequada e os efeitos locais secundários são mais frequentes.
Por todas as vantagens mencionadas anteriormente, a terapia inalatória é sem dúvida a melhor opção para administrar os medicamentos para o tratamento da asma.
O que se discute ainda é qual o melhor inalador para esta terapia.
O inalador ideal deve ser de manuseio e transporte fáceis, possibilitar o uso de vários medicamentos, não exigir coordenação entre o disparo do inalador e a inalação, permitir o controle das doses restantes, ter dose precisa e reprodutível, gerar volume de aerossol independente do fluxo inspiratório, ter limpeza e transporte fáceis e apresentar uma boa relação custo/benefício.
Infelizmente, o inalador ideal ainda não está disponível, portanto, a escolha do inalador deve ser individualizada, e o médico deve estar atento às necessidades e limitações do paciente, considerando faixa de idade e aspectos intelectuais e sócio-economicos.

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